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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Entre Lisboa e Alcobaça

Tenho estado em Lisboa estas últimas duas semanas tentando dar uma volta à vida. Tem sido particularmente difícil mas continuo a lutar e não perderei a esperança. 
O Natal vai ser um pouco triste este ano, a família vai estar espalhada. Por Lisboa fico eu, a minha irmã recompondo-se da sua doença, e a minha mãe tão velhinha, ultimamente muito confusa e esquecida. 
Tenho habitado o último andar da casa da minha mãe e até tirei uma foto da vista do quarto, de onde se vê a  Ermida do Restelo.

Entretanto as saudades de Alcobaça apertaram e voltei. Hoje de manhã cedo dei uma volta e reparei que a cidade tem muitas casas com aspecto medieval, na zona que circunda o mosteiro e por onde passa o Rio Alcoa. Como desconheço a história e arquitectura da cidade vou imaginando...

Este passeio, embelezou muito a cidade, foi construído em 2004.

Nos edifícios contíguos ao mosteiro, notamos alguns em completa ruína que parecem ter sido fábricas há décadas passadas, e lamentavelmente acabam por dar um ar de desgraça à cidade.

Finalizando o passeio acabei por dar de caras com uma prova do pouco civismo que existe neste país e que custa a entranhar nas pessoas. Um ponto de correntes contrárias do Rio Alcoa, vai aprisionando e acumulando garrafas de água a boiar.
 

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Pedrouços

Nasci na Rua de Pedrouços, rua de que sempre gostei por ter muitas árvores, algumas mais velhas que eu e que conheço tão bem como se de vizinhos se tratassem. 
Nem sei explicar mas é isso mesmo, existe em mim essa ligação àquelas árvores que nas brincadeiras de infância eu abraçava e me escondiam. 
Hoje passei o dia com a minha mãe que vive lá e fui comprar o jornal à BP na Av. da Índia. Na maior parte das vezes vou de carro e nem reparo bem no estado das casas por onde passo.
Hoje resolvi ir a pé e fiquei desgostosa com o que vi. Ruínas de casas que  há décadas lembro encontrarem-se em mau estado. Parecia um cenário de pós guerra.
Agora é só esperar que caiam. 
Depois, depois vem a especulação imobiliária em que apartamentos na zona, em condomínio, se vendem  a partir de 500.000€.
Largo da Princesa
Prédio com aviso de Perigo de Derrocada

Rua da Praia de Pedrouços

domingo, 20 de setembro de 2009

Bairro do Restelo


Quando os meus pais eram jovens, candidataram-se às casas do Bairro Social do Restelo, cuja condição essencial era um agregado familiar de 5 filhos tendo-lhes sido atribuída uma vivenda geminada com uma renda mensal de 800$00 (4€), quando o meu pai ganhava cerca de 1800$00 (9€). 
Nos anos quarenta/cinquenta, as medidas de expansão urbanística de Lisboa, que se encontrava em franco crescimento, lançadas pelo Estado Novo, traduziram-se na construção de novos bairros residenciais ou seja locais de habitação a custos controlados, destinados a casais jovens da classe média com probabilidades de um futuro promissor que lhes permitiria a continuação do pagamento da casa, que no futuro lhes pertenceria.
Assim, acabei por nascer no Bairro Económico do Restelo, concebido em 1940 pelo Arquitecto Faria da Costa.
Foi um dos bairros construídos em Lisboa que obedeciam a projectos tipo de arquitectura e mais tarde este bairro foi dotado de um Centro Comercial na Rua Duarte Pacheco Pereira, considerado o primeiro da capital.
O conceito de bairro social era diferente do actual. 
Noutros tempos, as casas eram preservadas e sujeitas a melhoramentos na sua construção pelos próprios moradores e futuros proprietários, que as estimavam.
Actualmente, o bairro social é composto por habitações adquiridas pelos municípios, de forma a permitir o acesso a uma habitação condigna, a pessoas que evidenciem incapacidade de corresponder às condições necessárias para integrarem noutra modalidade. 
Este regime de bairro social funciona através de contratos de arrendamento subsidiados, com rendas compatíveis com a situação económica do agregado familiar. 
Lamentavelmente, muitos dos residentes nos bairros sociais forjam a sua situação económica ou mesmo recusam-se a exercer uma profissão, dependendo única e exclusivamente de apoios e subsídios sociais, não se prestando por princípio a conservar a casa onde residem, provocando por vezes e propositadamente a sua degradação. 
Podemos tirar o exemplo do bairro Social Quinta da Fonte, em que 90% da sua população vive com o Rendimento Social de Inserção e a maioria nem paga a renda baixíssima da habitação que lhe foi atribuída.  
No entanto, chegámos a ouvir nos noticiários um morador reclamando terem-lhe roubado o televisor de plasma, que sabemos são aparelhos de custo avultado. 
O sistema actual de bairro social acaba por ter imensas fragilidades, como por exemplo a tendência para a guetização e exclusão social, tipicamente ligada a etnia, segregação e pobreza.