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terça-feira, 25 de março de 2014

História misteriosa

Encontrei esta história encantadora há já algum tempo sobre um apartamento parisiense que se manteve fechado durante 70 anos. 

A senhora que lá tinha habitado, deixou Paris antes da segunda guerra mundial ter rompido e nunca mais lá voltou.

Quando ela faleceu aos 91 anos, os herdeiros fizeram um levantamento dos bens e souberam da existência desse apartamento, descobrindo no seu interior uma fortuna em objectos de arte.


Quem entrou no apartamento pela primeira vez depois de tanto tempo passado fez esta descrição:

"Entrando no intocado apartamento, cheio de teias de aranha, foi como entrar no castelo da bela adormecida onde o tempo tinha parado desde 1900.

Havia um cheiro a pó antigo. Entrando debaixo de tectos altos em madeira, passando por um velho fogão a lenha e uma pia de pedra na cozinha,  reparou numa avestruz embalsamada e num brinquedo do Mickey Mouse datado de antes da segunda guerra mundial, bem como num toucador requintado.


Mas o seu coração falhou uma batida quando avistou um deslumbrante quadro de uma mulher num vestido comprido rosa de musselina.



A pintura era de Boldini  e o tema uma bela mulher francesa, que não era se não a antiga musa do pintor, cuja neta foi quem deixou o apartamento inabitado por mais de meio século.

A musa era Marthe de Florian, uma atriz com uma longa lista de admiradores, cujas cartas de amor ardente ela guardou cuidadosamente, envoltas com uma fita e que ainda estavam no local. Entre os admiradores estava o primeiro ministro francês Georges Clemenceau, mas também Boldini.

A pintura era datada de 1898, quando Miss de Florian tinha apenas 24 anos, e o seu preço atingiu €2.1 milhões, um record para o pintor. 

Foi um momento mágico. Podiamos ver que o comprador adorou a pintura. Ele pagou o preço da paixão."


A identidade da neta, assim como a data da morte de Marthe the Florian e o exacto local do apartamento são desconhecidos, devido às leis de protecção de privacidade da França.

Uma história fabulosa envolta em mistério.


sexta-feira, 25 de março de 2011

27,5 milhões de pessoas deslocadas pela violência



Números que assustam, mas que na realidade das nossas vidas, logo acabamos por esquecer.
Estamos tão longe, seguros de que nada nos acontecerá. 
Entretanto estes desgraçados sobrevivem numa vida sem sentido, sempre na esperança de que algo mude. 
Depois, passam-se décadas e o problema mantêm-se, porque aos países mais ricos onde vivemos, no conforto, esta gente é insignificante de quem nem nos lembramos mais ao deitar.
O número de pessoas ao redor do mundo desenraizadas por conflitos ou violência e deslocados dentro do seu país, aumentou para 27,5 milhões, o maior valor na última década, segundo um novo relatório divulgado pela Internal Displacement Monitoring Center em Genéve, criado em 1998 pelo Concelho Norueguês de Refugiados a pedido da ONU.
Cerca de 3 milhões de pessoas em 20 países foram deslocadas em 2010, incluindo 1,2 milhões em África. Este número tem aumentado progressivamente e os deslocamentos de grande escala continuam este ano.
Na Costa do Marfim, os civis estão a pagar um preço muito alto pelo impasse político, provocado pela recusa de Laurent Gbagbo em entregar o poder a Alassane Ouattara, vencedor das eleições de 28 de Novembro, reconhecidas internacionalmente, que provocou a fuga de muita gente e mais de 0,5 milhão de pessoas foram deslocadas.
Segundo o relatório, mais de metade dos deslocados em 2010 no mundo foram em 5 países:
  1. Colômbia – entre 3,5 e 5,2 milhões de pessoas;
  2. Sudão – entre 4,5 e 5,2 milhões;
  3. Iraque – cerca de 2,8 milhões;
  4. Congo – cerca de 1,7 milhão, e
  5. Somália – cerca de 1,5 milhão.
Nos últimos 10 anos um progresso significativo foi feito em entender e responder aos deslocados, cuja protecção e necessidades humanitárias deveriam ser preenchidas pelos seus governos. Em muitos casos existe apenas a ajuda feita por organizações humanitárias ou mesmo nenhuma ajuda.
Foi citada a terrível situação dos deslocados internos na capital da Somália, Mogadishu, que se encontravam literalmente na linha de fogo entre as partes beligerantes e em que a comunidades internacional não pôde fornecer qualquer protecção.
Uma representante para crianças em conflitos armados da ONU, disse que 12,2 milhões dos deslocados em 2010 eram crianças, e em pelo menos 11 países, as crianças estavam a ser recrutadas por grupos armados, para além de que em 18 países as crianças deslocadas enfrentavam o risco de violência física e ataque quando iam para a escola, como no Afeganistão.
Novos deslocamentos também são accionados pela violência relacionada com drogas e gangues, como ma Colômbia e no México.
Sendo que no México, o número de deslocamentos em 2010 foi superior ao número de novos deslocados no Afeganistão durante o mesmo período.
A África foi o único continente em 2010 que viu um declínio em número de deslocados internos, mantendo esta tendência desde 2004. Mesmo assim e apesar deste progresso, o continente africano detém 40% dos deslocados no mundo, quase metade são do Sudão.
No Médio Oriente, disse o relatório, o número de deslocados mais do que triplicou na última década, atingindo cerca de 4 milhões no final de 2010. Resultado dtanto da escalada do conflito no Iraque e Iêmen e de situações não resolvidas, incluindo o deslocamento na Síria, Líbano e Palestina.
Na Ásia, o número de deslocados aumentou 70% nos últimos 5 anos, resultantes principalmente da continuação dos conflitos no Afeganistão e no Paquistão, mas como na Ásia é difícil ter acesso a informação calcula-se que o número de deslocados seja provavelmente maior.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Italiana roubada

Hoje de manhã, apareceu em cima do pilar do portão de entrada da casa de minha mãe, no Restelo, uma mala de senhora, aberta, em que se via conter imensos cartões de débito, crédito e outros.
De imediato a minha irmã tentou ligar em vão para a Embaixada de Itália e respectivo Consulado, durante a toda a manhã e parte da tarde, sem que ninguém atendesse. 
Seria hoje feriado em Itália? 
Resolveu então ligar para a nossa PSP, que rapidamente compareceu para levantar a mala da coitada da italiana que devia estar desesperada.
Bela recordação ela levará de Portugal.

A propósito de ladrões, encontrei este filme que tem imensa piada, apesar das legendas em brasileiro a gozar o com o Manuel tuga.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Acontecimentos estranhos

Hoje nem sei por que razão, vieram-me à lembrança acontecimentos  algo estranhos que me aconteceram.

Vou contar dois de que me lembro:

- Quando era adolescente, vinha no autocarro da escola para casa e à minha frente sentaram-se dois fulanos africanos, bem trajados de fato e gravata. De vez em quando um deles virava-se para trás e olhava-me. À quarta vez aquilo já me intrigava, mas como era muito tímida nem abri o piu. Quando eles tiveram de sair, o que me olhava insistentemente, em pé volta-se para mim, calmamente deseja-me sorte dizendo o meu nome em seguida. Fiquei paralisada pensando como é que ele sabia o meu nome se nem vizinhos éramos nem nada. Peguei nos livros e pastas que levava e o meu nome não estava escrito em parte alguma. Como é que ele sabia o meu nome? não sei...

- Quando o meu amigo João morreu, fiquei de rastos. Depois do seu velório, cheguei a casa perto da meia noite e fui à cozinha para beber um copo com leite e oiço umas pancadinhas que não  consegui identificar e comecei a procurar tentando perceber donde provinham. Quando olho para a janela, vejo uma pomba branca de leque que  continuava a bater no vidro com o bico. Quando abri a janela, ela olhou-me de lado por instantes e voou. Estava tão escuro.

Ele há coisas...

domingo, 8 de novembro de 2009

Há 20 anos, a queda do Muro de Berlim


Símbolo vergonhoso da Guerra Fria.

Em 1961, a população de Berlim viu a cidade ser dividida por um imenso muro. O governo comunista da Alemanha Oriental tinha iniciado a sua construção entre Berlim Oriental e Ocidental, com o propósito de dividir as duas nações rivais que compartilhavam a mesma cidade, e também para impedir que cidadãos fugissem para Berlim Ocidental de governo democrático. 


Nos finais dos anos 80 o mundo comunista começou a desmoronar-se e em consequência também o Muro de Berlim, que permaneceu durante 28 anos de 1961 a 1989. 

Dados do Muro: 
Comprimento: 155 Km
Torres de observação: 302
Nº de Pessoas que tentaram atravessar: 100.000
Nº de Pessoas abatidas pelas patrulhas comunistas: 138

  O Muro como era antes

 O Muro como é agora
 Ficou marcado no chão em todos os pontos da cidade por onde passava, para que ninguém esqueça. 


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Kiva - Empréstimos que mudam uma vida

Fiquei a saber da existência deste portal, através do Diário de Notícias e achei bastante interessante. 
Sinceramente preferiria doar o meu dinheiro desta forma, em vez de entregá-lo a organizações nacionais, muitas vezes de suposta ajuda e caridade, cujas verbas doadas ninguém sabe se de facto foram aplicadas, ou se as mesmas reverteram para o bolso dos que as representam.
A missão desta organização é a de aproximar pessoas através de empréstimos, com o propósito de  erradicar a pobreza.
Trata-se do primeiro portal do mundo de micro-créditos, permitindo a qualquer pessoa e em qualquer parte do mundo, efectuar um empréstimo a quem quiser seja no Vietnam, no Uganda ou no Chile, só tem de escolher o pequeno empresário que pede ajuda para iniciar ou melhorar o seu negócio, e consequentemente melhorar a sua condição de vida.
Depois de se fazer o empréstimo mínimo de $25, poderá acompanhar a evolução do "seu" pequeno empresário e até as amortizações que o mesmo vai liquidando.


Para quem quiser ajudar. Ver aqui.



sábado, 10 de outubro de 2009

Carnaval no Rio de Janeiro

Com imensa piada um amigo, que desfilou no Carnaval no Rio, fez a sua narração pormenorizada desse acontecimento, isto em 2001. 
(Espero que não seja levada a mal alguma da linguagem utilizada)



       Por volta das 18,00 de domingo la me arranjei e fui pegar o 'van' para me levar para o sambódromo. No caminho para o local de encontro do 'van' como a minha fantasia era pequenina, toda a gente me perguntava qual a escola que eu ia desfilar, só rir! 
       Bom, quando cheguei ao sambódromo tinha uma dificuldade considerável, onde é que iria guardar a fantasia enquanto eu assistia ao desfile das escolas!! Bom, lá perguntei onde poderia guardar a fantasia, mas as primeiras 4 pessoas com quem falei disseram que não havia sitio nenhum para guardar fantasias. Bom, mas como no Brasil isso não quer dizer nada, lá consegui convencer um fulano para me deixar guardar a fantasia na sala da organização da 4a arquibancada....
    Seguidamente, quando cheguei à 4a arquibancada, todos os lugares da frente estavam ocupados, e então pensei eu para os meus botões (eu vou ficar de pé mesmo, portanto vou lá para os 1os lugares à mesma), Quando lá cheguei estava lá a excursãozinha toda da Expo parte 2 que tinham estado na fila desde as 3 da tarde e que estavam prestes a dar-me uma coça!!! Lá eu tive que fazer o meu ar mais inocente e estrangeiro possível para ver se saia dali sem muletas, e lá assisti ao desfile das escolas.
    De facto os brasileiros vibram imenso com o Carnaval. Para eles é uma questão de orgulho pessoal que a sua escola ganhe. Assim que começava a tocar a música, ainda mesmo sem nenhuma escola à vista o pessoal desatava a sambar no pouco espaço que tinha, uma loucura! Tive uma sorte tremenda porque do sitio onde estava conseguia ver com bastante nitidez todos os desfilantes. Imaginem que vi alguns actores, entre os quais o Miguel Falabella. O comentário quando ele passou era "gente do céu, pode esse homem maravilhoso ser bicha?! Olha só o desperdício gente".
    À 1 da manha eram horas de me por a andar dali para me encontrar com o resto da escola Beija-Flor. Quando fui tentar ir buscar a minha fantasia, um dos seguranças me levou até à sala onde tinha a minha fantasia. É claro que começou o segurança logo a perguntar onde era o encontro da escola, e lá eu lhe disse que era no edifício "balança mas não cai", ao que o senhor logo viu ali uma oportunidade de negócio imperdível, e então vira-se para mim e diz, mas isso é longe para caramba, como você vai chegar lá....ao que eu encolhi os ombros! E vai-se-me daí que me disse para o acompanhar ao banheiro (e eu a pensar: não me digas que este gorduroso quer que eu lhe pague com o corpo para ele me dizer onde fica o raio do edifício!). Quando chegamos à casa de banho estava lá um gajo (segurança da organização), que estava ali mais para o engate do que para trabalhar. Aí foi quando o senhor me propôs o negócio "eu te levo lá, mas tu me dá umas bufunfa", ao que eu deduzi que fosse dinheiro...  
      Pensava o meu mais recente partner que eu estava cheio da grana, mas enganou-se, eu tinha um míseros 1300$00, mas eu é que não lhe disse quanto dinheiro é que tinha, e ele também não exigiu nenhum dinheiro à partida.
No caminho para o referido rendez-vous, dei graças a todos os santinhos por estar com o segurança, pois sentia-me a atravessar uma favela (o que não estava longe da verdade) com cheiros e esgotos e bêbados e etc...Ainda por cima, o que a fulana da agência de viagens tinha descrito como "saindo da arquibancada 4, é logo à esquerda" era só assim uma boa meia hora de caminho por meio de uns caminhos horríveis (e à1 da manha tudo fica mais misterioso...). 
      Quando já tínhamos andado para aí uns 25 minutos, lembrei-me que se calhar não era muito boa ideia enganar o fulano, senão ainda me arriscava a ficar ali estendido no meio do caminho debaixo do viaduto, e lá lhe disse quando ele parou para uma bejeca, que todo o meu dinheiro eram 14 reais, ao que ele ficou muito desapontado, e deu por acabado o serviço de imediato. Giro mesmo foi que como tinha o dinheiro nos calções de banho, e tinha as notas todas enroladas, nem me apercebi que só lhe dei uns 600$00.
      Nesta altura pensei: mas onde é que eu estava com a cabeça quando me deu para desfilar no Carnaval, duvido que algum dia encontre este famigerado edifício, e que alguma vez desfile no sambódromo, se sair daqui com vida já me posso considerar um sortudo! Bom, aí lá eu segui umas pretas gordérrimas com um aspecto de favela enorme, mas com um aspecto inofensivo, lá resolvi meter conversa com uma delas que me disse para a seguir pois o rendez-vous afinal tinha mudado e tinham mandado as pessoas para outra rua, que eu nem sabia o nome! Enfim, uma sorte brutal, já que ao menos já tinha chegado ao sitio onde era suposto estar!!
      Escusado será dizer que quando cheguei ao suposto sitio, não havia ninguém para me dizer o que era para fazer, onde estar a que horas começava, nada, rien...A  única coisa que eu soube pela minha mais recente amiga favelense foi que tinha que encontrar a minha turma com a mesma fantasia que eu..Olhei em redor, e vi todas as fantasias e mais algumas menos o pessoal que ia desfilar comigo. Mais uma vez e graças à nossa senhora dos aflitos, de repente olhei para o lado e vi um pretito com uma fantasia igual à minha, era o marido de uma pretita que ia desfilar na minha ala, e que vinha também com o pai! Nem imaginam a minha alegria! É claro que não desgrudei nem mais um segundo da família pitanga! Ainda que eles soubessem menos do que eu, ao menos não estava sozinho. Sim, porque dado que estava num sitio onde s por ali andavam prostitutas, prostitutos, cães lazarentos, bêbados, gajas a mijar no meio da rua à frente de toda a gente, e aquela família era o que demais seguro eu poderia encontrar! Nem dá para imaginar que cada minuto que eu passava sem ser abordado por nenhum bêbado ou algué m a pedir, era cada minuto que eu rezava a santa joana princesa por toda a sorte do mundo!
     No meio desta podridão toda, viam-se gajões de sunga a mijar no meio da rua para toda a gente ver. Bichonas às resmas de sunga a fazer escarceu no meio da rua, via-se já muita gente com fantasias, e também se viam os carros alegóricos na estrada principal. Um contraste brutal entre fantasias de cores florescentes e com combinações de cores fantásticas, e carros alegóricos lindíssimos, e toda aquela podridão que se via pelo meio da rua. Ali dava para ver com uma clareza enorme, que aquele Carnaval tinha nascido de pessoas muito pobres das favelas, e que sempre tinha sido assim! Aquela gente vive em favelas o ano inteiro, mas aquela é a sua noite de gloria, e não sei como, conseguem por de pé um dos espetáculos mais deslumbrantes do mundo!
      Bem, lá me entreti na conversa com a minha recente amiga Verena, que me disse que nem tinha dormido a semana inteira de tão ansiosa que estava com o desfile.
      Para ela que morava em Nova Iguaçu, quando soube que poderia desfilar na Beija-flor, era estar a realizar um sonho de uma vida inteira!
      Depois de nos vestirmos no meio da rua como toda a gente, lá encontramos a nossa ala!     
      Nem imaginam a quantidade de estrangeiros que como eu pagaram para desfilar no carnaval do Rio! O que mais me custou foi sem duvida as horas de espera para o começo do desfile. Já não podia com a fantasia, e nem estava bem em posição nenhuma! O que valia é que haviam imensas bichonas de fantasia posta que só estavam bem a fazer bichisses, e com as quais eu me fartava de rir!
      As 6,30 da manha lá começamos a dirigirmo-nos para o Sambódromo, e a partir dali já tinha que estar tudo a postos para entrarmos todos nas posições indicadas! Lá nos mandaram alinhar em filas e depois mandaram-nos dar as mãos, tudo para entrarmos todos allinhadinhos!!! 
      Quando a musica começou a tocar, começou-me a percorrer um arrepio pela coluna acima, e lá começamos a desfilar e a sambar! 
      É uma sensação espectacular, olhar para os lados e ver centenas de pessoas a vibrar e a dançar com a musica da minha escola, e eu fazia parte daquele show!!! É espectacular, o pessoal parecia que estava possuído pelos seus instintos mais carnavalescos e toda a gente não parava de dançar e de saltar ao longo do sambódromo. Tal intenso foi o momento, que apesar de ter estado cerca de 1 hora a desfilar, parecia que tinha sido só 5 minutos! Ainda por cima tive a sorte da minha ala estar relativamente próxima da bateria, o que nos fazia sentir a vibração dos tambores e dos outros instrumentos todos, um espectáculo!
      No fim do desfile, mais uma vez voltávamos à realidade crua da pobreza e da favela. Por todo o lado, aquele pessoal que não ia voltar a desfilar deixava as fantasias mesmo ali no fim do sambódromo. Era como uma anti-climax ver muitas fantasias com plumas e tecidos de cores deslumbrantes ali no meio do lixo e da lama e do esgoto, era um contraste enorme!
      Bom, no final eu e a minha amiga Verena tínhamos que encontrar o pai e o marido dela, até mesmo porque eu tinha deixado a minha roupa com eles, e tudo o que eu trazia vestido era parte da fantasia ( e que não era muito, a não ser os calções de banho e uma faixa de plástico transparente com umas plumas). Diga-se de passagem que esperamos cerca de 2 horas junto ao local combinado e nada daquelas entidades. Pois ali estava eu naquele bonito traje de tanguinha e de corpo made in holmes place mesmo à beirinha da favela! Bom, nem sei como nem porque, quando tudo parecia mais uma vez perdido, lá vimos um taxista que nos perguntou se precisávamos de taxi. Pois eu considerava-me a pessoa mais sortuda do mundo. Lá dei boleia no taxi à minha amiga até à estação de trem, e depois lá vim eu para o Hotel mais morto que vivo. 
      Estava acordado haviam 24 horas e não sentia as pernas nem os pés. Só pensava no pequeno almoço no hotel, pois estava morto de fome, e com a minha querida caminha!
      Às 9,30 da manhã lá me deitei, e como tinha dormido muito as 13 horas lá me acordou a senhora da limpeza a dizer que precisava arrumar o quarto...
      Bom, lá fui tomar banho e vesti-me para mais um dia no maravilhoso Rio de Janeiro. Lá pus os pés ao caminho e fui direitinho a Ipanema (o local mais gay que eu já vi). Fui a pé para poder aproveitar a vista maravilhosa do calçadão. Ipanema fica para aí uns bons 40 minutos a pé, mas eu não me importei, a beleza circundante era tal que não me importava com as dores nos pés!
     
PS - A Beija Flor ficou em segundo lugar este ano!!!


O sambódromo à noite



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um relato minucioso do terramoto de 1755

Carta de um senhor residente em Lisboa, a um mercador em Londres
(excertos da carta retirada do Livro "1755 testemunhos britânicos")
Meu caro amigo

    Presumo que terá sabido, antes que esta chegue a si, do acidente fatal, ou melhor, providência vingadora, que quase destruiu esta cidade e danificou bastante muitos outros locais consideráveis...
    Para que eu possa, contudo, ser tão metódico e exacto quanto possível, começarei por vos dar um breve relato da cidade de Lisboa, como se encontrava antes do recente e terrível terramoto.
    O porto, pela sua situação no oceano ocidental, é um dos mais amplos da Europa: possui grandeza bastante para conter 10 mil navios com comodidade e mesmo os maiores navegam com segurança em frente das janelas do palácio real.
    A cidade situa-se no lado norte do Tejo, sobre sete colinas, muito íngremes em vários lugares. As ruas nas vertentes das colinas são mantidas limpas pelas chuvas, mas as planas são intoleravelmente sujas.
   O clima é quente, mas, sendo moderado por brisas frequentes do mar e rio, torna-se extremamente agradável e saudável. As casas são, na maior parte, velhas e de má qualidade, mas as que foram reconstruídas têm uma  aparência melhor; as da nobreza e pequena nobreza, todas construídas em pedra, possuem beleza e imponência. Existem 25 mosteiros, 18 conventos e vários hospitais grandes...
    A melhor praça em toda a cidade situa-se junto do grande hospital e chama-se Rossio.
    No primeiro de Novembro, 1755, entre as 9 e as 10 horas da manhã, tivemos o terramoto mais violento que talvez jamais se tenha feito sentir na Europa; relatar as consequências deste triste desastre é completamente impossível... Em cerca de cinco minutos o palácio e a maioria dos edifícios públicos foram destruídos; poucas das igrejas ou capelas ficaram de pé e o número de vidas perdidas diz-se ser maior do que 40 mil.
    O palácio do rei está inteiramente destruído, embora felizmente nenhum acidente tenha acontecido à família real, estando eles em Belém à hora do terramoto...
    À hora a que o terramoto começou estava eu a escrever num gabinete, no cimo de um lanço de escadas; senti um abalo surpreendente e, incapaz de adivinhar o que se passava, corri de imediato para a janela, e a primeira coisa que me chamou a atenção foi a esquina de uma casa a cair sobre duas pessoas que iam a passar; isto foi muito mau, mas, menos de um minuto depois, vi a minha mulher e filha (que tinham corrido para a rua ao primeiro abalo) morrerem esmagadas pela queda da parte restante da mesma casa...
    Então, apressei-me o mais que pude para a grande praça, que, sendo um lugar aberto, eu entendi que seria o mais seguro; enquanto eu corria para lá, observei uma das melhores ruas de Lisboa a afundar-se na terra e todas as pessoas nela (que eram, sem dúvida, algumas centenas), devem, por conseguinte, ter perecido. Um lado da rua em que eu vivia desapareceu inteiramente. Em resumo, Lisboa tornou-se um monte de ruínas e os seus habitantes os miseráveis mais infelizes sobre a face da terra! Não temos camas para nos deitarmos e quase nada para comer. Muitas pessoas vivem em tendas nos campos - em geral, os nossos armazéns estão destruídos -. Sua Magestade colocou um embargo em todos os navios, para que as suas provisões possam, nalguma medida, prover às necessidades dos infelizes habitantes do "lugar que foi, mas já não é Lisboa".
    Mal o tremor tinha cessado, um bando de patifes sem remorso começou a pilhar as casas que estavam desertas, pois os habitantes fugiram não sabiam eles para onde, com receio de que os edifícios caíssem sobre as suas cabeças; tão cedo quanto possível, guardas adequados receberam ordens para capturar saqueadores e disparar contra eles em caso de resistência.
    O grande edifício aqui pertencente à Inquisição foi inteiramente destruído pelo primeiro abalo. A terra abriu em vários locais, dos quais brotaram terríveis chamas. Vários navios no Tejo foram quer engolidos pela agitação das águas, quer afundados pela queda do palácio real e outros edifícios situados nas margens do rio.
    Ao mesmo tempo, os vários rios que irrigam o reino subiram a uma altura extraordinária e, inundando as suas margens, provocaram grande dano à região adjacente. As montanhas mais consideráveis neste reino e no dos algarves, particularmente as da Estrela, Marvão, Sintra, Arrábida, Montejunto, etc, sentiram igualmente o abalo. Algumas foram desconjuntadas e bocados delas atirados para os vales. As cidades que mais sofreram foram: Vila Nova de Portimão, Tavira, Castro Marim, Beja, Elvas, Portalegre, Setúbal, Porto, Bragança, etc.
    Nenhum abalo tendo sido sentido desde o primeiro às dez da noite, o rei e a família real aventuraram-se a regressar àquela parte do Palácio de Belém que terramoto poupou e que foi escorada; e um grande número de pessoas está ocupado a escavar as ruínas para recuperar os bens mais valiosos.
    O terramoto foi sentido em Tarifa, que fica a pequena distância do estreito de Gibraltar; e imaginamos que tenha feito algum dano na Fortaleza de Gibraltar, pois os abalos foram muito violentos nessa região de Espanha.
    Acabei de vos fazer, Caro Senhor, o melhor relato do que pude saber deste terrível acontecimento, e sou,
O seu angustiado, mas sincero amigo, e humilde criado.
9 de Nov, 1755



100 imagens do terramoto de 1755: aqui