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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Crianças


Em Louvor das Crianças


Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso. 
A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue. 
O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus. 
Eugénio de Andrade












Crianças lindas que fui fotografando, durante as minhas últimas férias na Guiné-Bissau. 
A natalidade neste país é muito elevada, em média uma mãe tem 6 filhos e por isso havia crianças por todo o lado. 
As meninas principalmente e desde muito cedo, começam a ajudar as mães nas lides caseiras: a buscar água com alguidares enormes e cheios de água que transportavam com equilíbrio nas suas cabecinhas; no pilão a moer o milho e na apanha da castanha de cajú.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Viagem à Guiné-Bissau



Passei as minhas férias deste ano no quente país africano Guiné-Bissau, pouco antes das eleições presidenciais.
De facto o calor lá é insuportável e, a humidade elevadíssima tirou-me toda a energia que possuía. 
Mas é um país lindíssimo, com praias paradisíacas e desertas. Do Arquipélago do Bijagós então nem  falo de tão lindo que é. É melhor irem lá e ver pelos próprios olhos.

A Guiné-Bissau é um país pequeno mas cheio de contrastes, por ex. por possuirem cerca de 40 etnias, que  distinguem os seus naturais, para além da cultura, nos seus traços físicos. Reparei que as mulheres da etnia Fula são muito bonitas, assim com os homens da zona sul do país, altos e musculados, que não sei a que etnia pertencem.
É uma terra de uma beleza única e de muito calor afectivo.

País pobre, devido à instabilidade política que tem sofrido ao longo dos anos, e altamente corrupto principalmente nos mais importantes poderes. Entristece saber que esses  indivíduos que ganham fortunas em negócios escuros, não investem rigorosamente nada na sua pátria.
Pelo que ouvi, os guineenses herdaram a marca que os portugueses deixaram nos serviços públicos, os mesmos só funcionam com um empurrãozinho monetário.
Em muitas cidades encontrei casas lindas do tempo colonial em completa degradação, porque as famílias que as habitam não possuem meios para a sua continuada manutenção.
No ano passado, visitei a cidade de Cacheu, onde se encontra uma fortaleza construída pelos portugueses em 1588 para assegurar a presença portuguesa e dar apoio ao negócio da escravatura. Em 2004 dizem terem sido efectuados trabalhos de recuperação neste forte, em que foram gastos 100.000 € disponibilizados pela UCCLA União das Cidades Capitais de Língua Oficial Portuguesa.
Contudo, pela mão de obra tão barata com ordenados baixíssimos que ganham os trabalhadores guineenses, questiono onde de facto aplicaram esse dinheiro tendo em conta a degradação daquela fortificação, que visitei 4 anos após as ditas obras de recuperação.